A agricultura vem evoluindo desde que os seres humanos deixaram de ser nômades e fixarem-se em áreas, percebendo que ao colocarem sementes no solo, plantas nasciam e poderiam assim cultivá-las.

Aprimoraram-se as técnicas de manejo, os equipamentos, a genética, e chegou o momento também da tecnologia começar a invadir o campo! Inicialmente embarcada em equipamentos, muito mais relacionada à mecanização agrícola. Foi a base para nascer também a agricultura de precisão, permitindo otimização de insumos, melhorando o manejo e servindo de ponto de partida para o melhor entendimento do que acontecia em cada pequeno pedaço da lavoura. Foi o início da busca de mais informações para que melhores decisões pudessem ser tomadas.

Nunca antes se viveu o momento como os dias de hoje, onde a utilização das tecnologias de informação podem impulsionar a otimização das práticas agrícolas, nesse sentido estamos vivenciando um cenário ímpar. São termos complexos, a maioria em inglês, que “pipocam” em artigos, matérias de revistas e em muitos outros locais, explicando essa nova onda da agricultura, chamada de 4.0 ou agricultura digital. Big Data, crowdsourcing, drones, inteligência artificial, data analytics, e muitos outros! Não precisamos nos prender aos termos, mas sim na enorme revolução que esta nova era trará para a produção de alimentos no campo.

Mas afinal, o que é a agricultura digital, e como ela vai ajudar você, produtor, a conduzir melhor as suas lavouras, e também a você, que não planta mas precisa de alimentos de qualidade e com preços competitivos.

Eu gosto de explicar tudo por um ponto de vista mais prático e simples, pois sempre que estamos imersos em uma mudança, e é este o momento que nos encontramos, fica mais complexo entendermos o que se passa no todo. Com esta forma de pensar podemos considerar a agricultura digital como sendo a possibilidade de tomarmos melhores decisões, otimizando ainda mais os insumos, entendendo melhor as dinâmicas e interações bióticas e abióticas nas lavouras, e assim produzirmos mais alimento, com menores custos.

O recurso principal de tudo isso são dados, ou seja, informações. Essa agricultura digital, que não necessariamente utiliza-se de equipamentos e máquinas, está trazendo aos produtores, técnicos e agrônomos, um poder nunca antes imaginável, a possibilidade de tomarem melhores decisões fundamentadas em dados e parâmetros reais considerando as características de cada talhão e lavoura.

Quem se beneficia desta revolução? Todos! Desde os agricultores, técnicos, agrônomos, e principalmente a sociedade como um todo, que terá alimentos em maior quantidade com melhor qualidade, e com preços competitivos.

Se considerarmos a cultura da soja, já são mais de 35 milhões de hectares cultivados por ano no Brasil. E no mundo? Mais de 125 milhões de hectares. É por isso que diversas soluções em Agricultura Digital têm sido desenvolvidos para esta leguminosa, visando oferecer ajuda para os principais problemas que hoje reduzem as produtividades. Um exemplo disto é a perda gerada pelas doenças, que comprometem diretamente a produção de grãos e geração de riqueza para toda a cadeia do agronegócio.

Anualmente, mesmo com a utilização de fungicidas, são perdidos de 15% a 40% da produção de soja, segundo Wrather, A. et al. 2010. São milhões de reais investidos, sem atingir a eficácia necessária. As principais doenças presentes na cultura da soja são: Ferrugem, Antracnose, Cercospora, Mancha Alvo e Oídio.

Devido às muitas variáveis que estão relacionadas direta ou indiretamente com a eficácia dos fungicidas no controle dos fungos causadores das doenças, a complexidade do manejo é bastante alta. Dentre estas variáveis podemos destacar a genética (cultivares), local (latitude, longitude e altitude), histórico (de controle e presença de inóculo), clima, precipitação, época de semeadura, dentre outras.

Neste sentido, é fundamental que os técnicos a campo e os produtores consigam ter acesso a informações que embasem melhor suas decisões para o controle mais assertivo das doenças na soja. Dentre estas decisões o momento da realização de cada aplicação dos fungicidas é algo fundamental na construção da sanidade da planta, a cada safra, principalmente nas primeiras pulverizações, pois os danos são gerados muito antes do aparecimento dos sintomas visíveis na planta.  

Foi possível constatar em experimentos realizados, que a pulverização de fungicidas com atraso de sete dias, em relação à data ideal, gerou perdas de 4,8 sacos por hectares em áreas semeadas em 18 de dezembro, e de 5 sacos por hectare em semeaduras na primeira semana de janeiro. Se transpormos esses dados para reais (R$) por hectare, os números chegam a perdas de R$ 20,00 a R$ 45,00 por dia de atraso. É um ponto importantíssimo, pois com a aplicação em datas ideais é que será possível evitar os danos e consequentemente as perdas de milhares de toneladas de soja.

Felizmente a agricultura vem passando por uma grande transformação, onde a informação está a cada dia mais acessível, permitindo que sejam tomadas decisões mais precisas em todos os momentos da produção agrícola! Um exemplo disto é a DigiFarmz, que acompanhando esta evolução, apresenta-se como ferramenta para o manejo das doenças da soja, utilizando-se de algoritmos proprietários e mais de 18 variáveis, combinados a uma base de dados de pesquisas realizadas à campo e em casa de vegetação, e atualizadas anualmente. A missão é clara e objetiva: entregar na mão de agrônomos e produtores, um conjunto de parâmetros e informações que os auxiliem na escolha dos melhores fungicidas, doses, misturas, datas ideais para cada aplicação e números de aplicações, considerando a realidade de cada lavoura e talhão.

Hoje em dia ainda são realizadas recomendações de fungicidas e doses de forma generalista, sem considerar as especificidades e realidades das diferentes regiões e cultivares, algo pouco efetivo quando sabemos que o Brasil é um país continental, com diversas condições e ambientes distintos. Além disso, é muito importante atentar para o efeito que cada aplicação possui no controle das doenças em todo o ciclo da cultura. A DigiFarmz auxilia diretamente nestes pontos, possibilitando a geração de recomendações personalizadas para a realidade de cada lavoura, e apresentando eficácias que consideram o programa fungicida como um todo, onde as eficácias de cada aplicação vão sendo ajustadas de acordo com os fungicidas e misturas utilizados nas aplicações anteriores.

Outro fator importante, é a ocorrência de resistência dos fungos (patógenos) aos fungicidas, gerados muitas vezes por equívocos nas decisões de manejo. Por esta razão a DigiFarmz (www.digifarmz.com) apresenta alertas relacionados às melhores práticas agronômicas, visando maiores produtividades e menor pressão de resistência dos patógenos aos fungicidas.

*Matéria publicada no Jornal O Semanário Regional em fevereiro de 2019

 

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