O aumento da pressão de doenças na cultura da soja tem sido um dos principais desafios das últimas safras no Brasil. A combinação entre expansão das áreas cultivadas, intensificação dos sistemas produtivos, sucessão de culturas hospedeiras e condições climáticas favoráveis tem ampliado a incidência e a severidade de patógenos ao longo de todo o ciclo da cultura.
Doenças que antes eram consideradas secundárias passaram a ocupar papel central no manejo, exigindo maior atenção técnica, planejamento antecipado e decisões cada vez mais precisas. Casos como a mancha-alvo, o crestamento foliar, a mancha púrpura, o mofo-branco e o oídio ilustram bem essa mudança de cenário, somando-se à ferrugem-asiática, que segue como uma das maiores ameaças à produtividade da soja no país.
Levantamentos técnicos indicam que, quando não manejadas corretamente, essas doenças podem provocar perdas expressivas. A mancha-alvo, por exemplo, já é capaz de reduzir a produtividade em até 40%, enquanto a ferrugem-asiática pode causar danos superiores a 90% em situações de falha no controle.
O crestamento foliar e a mancha púrpura, causados por fungos do gênero Cercospora, também preocupam, especialmente no final do ciclo, com perdas estimadas em até 30%. O mofo-branco segue como uma das doenças de manejo mais complexo, com potencial de redução de até 70% da produtividade em áreas favoráveis à sua ocorrência. Já o oídio, bastante associado a períodos de déficit hídrico, pode gerar perdas de até 40%, sobretudo em anos influenciados por fenômenos como a La Niña.
Mais do que os números, o que chama a atenção dos técnicos é a dificuldade crescente no controle dessas doenças. Fatores como a suscetibilidade de cultivares, a resistência de patógenos a fungicidas e a convivência com plantas hospedeiras ao longo do ano aumentam o risco e exigem estratégias de manejo cada vez mais bem fundamentadas.
Nesse contexto, o manejo deixa de ser pontual e passa a ser um processo contínuo, baseado em monitoramento, leitura de risco e tomada de decisão no momento correto, considerando clima, estádio da cultura e histórico da área.
Diante desse cenário, a disseminação de informação técnica confiável se torna um elemento-chave para reduzir perdas e preservar o potencial produtivo da lavoura. O acesso a conhecimento estruturado permite que produtores e técnicos antecipem problemas, ajustem estratégias e façam escolhas mais seguras ao longo da safra.
Com esse objetivo, a DigiFarmz lançou a série “Doenças da Soja”, um conjunto de materiais técnicos que aprofunda o entendimento sobre as principais enfermidades da cultura, abordando desde o ciclo de vida dos patógenos até estratégias de manejo mais eficazes e aplicáveis à realidade do campo.
A proposta da série é apoiar produtores, agrônomos e gestores na tomada de decisão, oferecendo conteúdo estruturado, atualizado e orientado à prática. Cada edição aborda uma doença específica, trazendo informações sobre sintomas, desenvolvimento no campo, fatores de risco e pontos críticos de atenção ao longo da safra.
Em um cenário de margens apertadas e riscos elevados, investir em conhecimento técnico e planejamento deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica para a sustentabilidade da produção. O avanço das doenças da soja reforça que decisões bem fundamentadas, aliadas ao monitoramento constante, são fundamentais para proteger a lavoura e garantir produtividade mesmo em ambientes cada vez mais desafiadores.
A série “Doenças da Soja” segue como uma fonte de apoio técnico ao longo da safra, contribuindo para que o manejo seja cada vez mais estratégico, preventivo e eficiente.